sexta-feira, 14 de setembro de 2007

On being human: Truth

The pure and simple truth is rarely pure and never simple.

Oscar Wilde

Maybe that’s why we lie to each other. Like trolls from the fantastic stories of my childhood, who would kill you just to simplify things, we remorselessly kill truth in a vain attempt to simplify our lives. You lie to me. You’d rather tell me you were stuck in traffic than the pure and simple truth: you just bumped into that old friend of yours. Because to me that wouldn’t be as straightforward as that: you didn’t just bump into him. He was looking for you. Yes, I know he was your childhood sweetheart. Yes, I’d be jealous. You Know me. That, at least, is a pure truth. So you lie. You simplify. You never asked me if I wanted that, though.

Someone saw you speaking, and perhaps something else. Someone told me someone saw. It’s always like that. Then you just deny. To assume your mistakes was never easy to you. It wouldn’t seam a viable option to your pride. Well, honestly speaking, nor would it seam to mine. We argue. Inevitable. We hurt each other. Predictable. We split up. Foreseeable.

The truth would have been everything but simple to tell. I would never expect you to actually tell me the pure truth (I’ve never met someone capable of that). We both know all that. Even so, I demanded it pure and simple. Just the way you could never have done it. You understood my position, though, You would have done exactly the same thing. We both know that. Despite lying to you almost everyday (about your new haircut, your cooking, your lovely cousin, or an unimportant flirt at work), I still find myself in position to demand truth. And, to my amazement, you still find me in that position too.

Now we are apart. The exact way we swore countless times we would never be. Now I cry shamelessly. The exact way I swore myself countless times I would never do. Now you hang out with other guys just for the sake of forgetting. The exact way you swore yourself countless times you would never do. And nowadays, we live lying to ourselves pretending to be someone we are not. That is the pure and simple truth: lying is rarely pure and never simple.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

LONDRES – Tomo I: “À Descoberta”

Tenho medo de fazer isto. Mas já era altura de me libertar deste fardo. Afinal já passou o quê (?), um mês e tal? É, já é tempo de pôr por escrito aquilo que ando a adiar à muito. Tenho de agradecer à Filipa, à minha mais que querida companheira de viagem, por ter tomado esta iniciativa no seu blog. Eu sigo-lhe o exemplo. Afinal, os amigos servem para isto, para partilhar o bom e o mau que nos acontece na vida…E como poderia eu deixar de partilhar convosco a, sob todos os aspectos, melhor experiência da minha vida?

Foram apenas duas semanas dirão muitos. Eu respondo que vivi e aprendi mais nessas duas semanas do que muitos em todo o tempo que por cá andaram. O objectivo, pelo menos o oficial, era aprofundar o meu conhecimento de inglês. No fim, saí de lá a falar inglês ainda melhor, com um francês já aceitável, com mais noções de italiano e a saber dizer alguma coisa de alemão, pelo menos o mais necessário, como por exemplo: Du hast shön blond haar und fantastisch blau augen! Acreditem: serve para qualquer rapariga alemã! ;) Mas muito mais do que as matérias académicas foram as pessoas, as situações, as descobertas, a interacção. Foram 15 dias de descoberta de mim mesmo numa situação em que nunca antes me encontrara (mas não me importarei de voltar a encontrar): uma autonomia e uma independência fantásticas. E não pensem que foi só a falta de pais. Foi o tudo ser desconhecido: a cama, o lugar, as pessoas, as escola, os colegas, os professores… Dá-te uma liberdade quase completa. Afinal ninguém te conhece mesmo! Qual é o problema de declamar “Os Lusíadas” em alto e bom som no meio de Oxford Street? E Piccadilly Circus é um lugar tão bom como outro qualquer para aprender a dançar, desde a valsa ao cha cha cha! Quanto ao cantar, num coro cheio de harmonia e vozes melodiosas, todo os géneros musicais, desde Muse a Toni Carreira, no metro, bem, tirando uns olhares reprovadores de perto de 99% dos transeuntes, não houve nada de mais! Foram 15 dias de descoberta de pessoas completamente novas, mas do mais fascinante! Todas à sua maneira tinham algo de diferente para contar, mostrar ou ensinar. E não há maneira melhor de aprender do que entre pessoal jovem a rir às gargalhadas do pavão, dos torneios de ping-pong, das calinadas da Chio, dos estereótipos culturais ou da falta de habilidade de alguém, muito provavelmente eu, para comer com pauzinhos.

Foram 15 dias de aventura diária, de viagens de autocarro sem destino conhecido, de encontros menos recomendáveis às 3 da manhã, de quilómetros e quilómetros percorridos no meio daquela atmosfera citadina, atarefada, estimulante. 15 dias que souberam a pouco, mas pelos quais agradeço todos os dias.

Como respondia a todos aqueles que vinham ter comigo e perguntavam: “Então e Londres, como foi?”; é impossível sintetizar uma tal experiência em meia dúzia de palavras, e daí o “Tomo I” no título. A medida que me for recordando das experiências lá vividas vou-as publicando aqui neste meu canto dissonante. Não na esperança de que vocês as leiam todas, mas numa necessidade de libertação. Foi bom, foi óptimo, foi do melhor que já me aconteceu. Mas passou. E agora coisas há que requerem atenção e preciso de fechar este livro para abrir o próximo. Espero retoma-lo no próximo Verão (a França espera-nos Filipa!). Afinal, as histórias só têm um ponto final definitivo quando lho querem por.
E esta?…bem…esta terá de viver sem ele!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Ocasos

Algarve, Via do Infante.

A direcção era Oeste.

O relógio marcava 9 da tarde (sim, da tarde, pois naqueles enormes dias solarengos de Julho podemos dar-nos a tais extravagâncias).

O Sol aproximava-se do término da sua jornada diária e as suas línguas de fogo e luz lambiam com indescritível provocação os cumes das serras do interior algarvio. Olhei-o de frente, sim, daquela maneira que não se deve porque faz mal aos olhos. Fascinou-me, prendeu-me. Numa atitude algo camaleónica mudava de cor: do seu característico amarelo relampejante, berrante até, foi enrubescendo, passando por todos os imagináveis tons de laranjas ou alaranjados. E estes seus caprichos contagiavam tudo em seu redor. A ponto de os escassos e etéreos farrapos de nuvens presentes naquele firmamento estival se incendiarem, como que de moto próprio, em tinturas de carmins apaixonados, rosas inocentes e púrpuras reais. E então, subitamente, o astro-rei começou a afundar-se por detrás das serras, como que procurando santuário por um qualquer crime chamejante cometido naquele dia. E como que envergonhado de toda a sua flagrante conspicuidade, ocultou-se numa questão de segundos. Para trás fica todo um trilho de réstias de luz que se confundiam e associavam num caleidoscópio de cores, único vestígio do aparente opróbrio do Grande Astro. Esperava assistir ao dissipar de toda aquele espectáculo até ao advento da penumbra vespertina em todos os seus azuis carregados de promessas de noite e escuridão.

Atónito fiquei, portanto, quando não muito depois, o Astro envergonhado espreitou de novo num dos cumes da serra. E tão subitamente quanto tinha desaparecido, voltou, em todo o seu esplendor, para reclamar à noite alguns instantes para o dia. Mas não conseguiu impor-se contra as leis naturais por muito, e apenas durante uns momentos fui eu capaz de gozar mais um pouco do calor dos seus raios na minha face. E assim, obedecendo contrariado aos imperativos naturais, voltou-se a afundar-se nas serranias algarvias com delongas quase fatalistas. Por cinco vezes se repetiu o fenómeno e não pude evitar pensar na sua singularidade. Aquela sucessão de “micro-dias” e “micro-noites” em espaços de tempo inconcebíveis fez-me pensar no futuro.

Onde estarei eu daqui a uns quantos ocasos?

(Algures no príncipio de Agosto de 2007)

Carta de Amor de um Biólogo

Li isto numa página de Biologia quando andei a pesquisar o Google já não sei bem porquê. Isto é principalmente para ti Ana que só gozas com os biólogos! Have fun!

«Você tem uma nomenclatura muito linda, mas saiba que eu a amaria mesmo que você se chamasse Ergastoplasma... Sabe que quando a vejo, minhas mitocôndrias entram em fermentação, a meiose acelera - se e os meus gâmetas ficam todos assanhados? É verdade porque você tem um fenótipo tão lindo que tenho uma tese de que o seu código genético foi sequenciado por um artista muito inspirado, em plena geração espontânea.
Quando você surge, em movimentos amibóides, bela, túrgida e charmosa, começo a sentir os efeitos das reações físico-químicas no meu organismo. O seu tropismo em relação a mim afecta o córtex do meu sistema sensorial! Ao tocar na sua celulósica mão, os nossos glicocálix encontram-se. E se os seus olhos, perdidos, semelhantes a ocelos de planária, não se cansam de me fixar, é porque a minha antena está ligada a você. A sua cetácea presença mexe com as minhas enzimas, hormonas, neurotransmissores, até a minha cadeia respiratória já não funciona bem , nem mesmo para a coordenação do meu trémulo tríceps. Do meu frontal escorre o que restou de secreção sudorípara. As suas ferormonas tiram-me realmente da homeostase. os seus cílios e pillos causam-me flagelos impensáveis. Palpitações sistólicas rebentam o meu pericárdio.
Ah, querida, e quando quero repôr as perdas metabólicas e a levo a uma pastelaria para posicionar os nossos níveis tróficos, a única gelatina que nos interessa é aquela biomassa saborosa a que chamamos meio de cultura! Mas apesar da nossa relação harmónica em franca evolução, ultimamente você está num estado de isolamento do que foi a nossa protoplasmática simbiose. Sabe, se você continuar tratando-me com tanto acaso, vou me sentir menos que um insecto, um verme! Você dá mais atenção às suas amigas, aquela tal de Drosóphila, à Taenia, a quem, por sinal, nunca fui apresentado, do que a mim... E quem é esse tal de Rhesus, hein? Ah meu Deus! Será que estou com complexo de Golgi? Devo estar entrando naquele ciclo maldito - o ciclo de Krebs... e se esse processo selectivo continuar sou capaz de cometer uma loucura, uma apoptose.
Por favor, não me trate assim de forma virulenta, feito uma amiba ou um "Cavia porcellus porcellus", pois a estes sei que você dedica apenas olhares científicos e sem paixão. Eu não sou uma cobaia de laboratório. Eu não bacilo nem quando fico como um vibrião colérico. Espero que você deduza que o meu sonho é passear abraçadinho consigo igual a um carrapato, num lindo dia de sol, em Galápagos, dizendo para mim mesmo: Cromossomos felizes!"»

Fim e Começo

Acabou-se a papa doce! Ah pois é amigos, já se acabaram as férias. E por isso este blog vai voltar ao activo! E, pela 12ª vez acaba-se um ciclo de descanso para começar o de trabalho. É sempre um misto de sensações nesta altura. Normal, visto ser um término e um início ao mesmo tempo. Há a tristeza e melancolia de um fim e a excitação de um começo. Um dualismo, uma dissonância, uma contradição; como tudo acaba por ser neste blog.

E falando do blog, durante os próximos dias vou publicando umas coisas que fui fazendo ou lendo durante estas férias. Espero que leiam e comentem!

Bem-vindos a mais um ano lectivo dissonante. (Como não podia deixar de ser.)


Fotografia: http://www.fotodependente.com/img1057.htm


domingo, 24 de junho de 2007

Momentos

No fundo foi um conjunto de momentos. Uma tarde prolongada. Rimos, conversamos, andamos de baloiço, aprendeMOS a jogar bilhar… Dissemos e fizemos porcaria – inclusive ajudar à ruína do cesto de basquetebol da Pipa e discutir o que se deviria usar nestes casos: se travessões se parênteses – mas não interessa, visto que isso faz parte. E ainda bemque assim é! Bem, mas pus-me a pensar nessa magnifica tarde em que rimos e choramos – lá vem o travessão outra vez, para dizer que não, não é um exagero porque ela quase chorou com um ataque de cócegas bem merecido; onde é que já se viu roubar-nos uma bola de bilhar – pus-me a pensar dizia eu, o que geralmente não dá muito bom resultado, e conclui que dentro em breve tardes como estas, simplesmente revigorantes, daquelas que nos lavam a alma e o espírito de coisas baixas – leia-se exames – pela convivência com aqueles de que mais gostamos, vão simplesmente deixar de existir. Pronto, não sejamos brutais, peço desculpa, vão passar a rarear – embora toda a gente saiba que isto é um eufemismo barato.

É certo que existirão outras tardes, magnificas também, mas não vão ser as mesmas, porque são as pessoas que fazem os momentos. O tempo pode passar por nós pavoneando-se eternamente jovem e mostrando-nos um sorriso de escárnio. Mas que sorriso amarelo esse! O tempo é o vagabundo deformado e mutante que jaz na valeta, é o ser abjecto e solitário que ninguém reconhece, que ninguém quer conhecer. Recordamos os momentos porque eles nos estão associados a pessoas, às pessoas que nos marcam – por vezes indelevelmente como é o caso. O tempo é o bode expiatório, é o macaco da culpa. É aquela criação a que o criador renuncia. Criámos a noção de tempo, desse eternamente jovem, e renunciámos a ela porque nos fazia “dor de cotovelo”. Nem mais meus caros. Ora já me viram isto? Quer dizer, anda aqui uma pessoa a esfalfar-se uma vida toda e morre ao fim duns míseros 60 anos, e esse mandrião que não faz nenhum senão passar por nós não tem um fim? Ora, é legítimo que cause confusão e desconforto.


Mas, paradoxalmente, ao fazermos essa renúncia tiramos-lhe tudo aquilo pelo qual o renunciámos. É que o tempo tinha mais do que nós, crime abominável, mas ao privamo-lo de nós, tiramos-lhe uma parte essencial: a identidade! O que é o tempo? Pois, dirão que é complicado definir porque é algo de muito abstracto, blá blá blá; não tenham medo de se mostrar ignorantes neste aspecto, é que nisso somos todos. Não o definimos porque não nos dá jeito, quem é que quer estar a “espremer” e compreender algo que nos conduz à velhice, às rugas, à morte? Sejamos francos, não somos heróis românticos com tendências masoquistas: meros humanos é a melhor definição! Mas voltando à identidade do tempo, para ser coerente à não-identidade do tempo, a nossa renúncia fez dele um vagabundo maltrapilho sem ninguém. Em bom português: um Zé-ninguém! Disto resulta, que ninguém pensa que se cruzou casualmente com a prima da vizinha às 16:47 do dia 9 de Agosto de 1998. Depois ainda há os relógios, que não passam de um subterfúgio de uma sociedade facilitista. Senão vejamos, seria complicado pensarmos que íamos ter com aquele amigo ao bar, depois de tomarmos café com o pessoal do liceu, depois de jantarmos com o chato cliente, depois de termos ido às compras à procura de algo para aplacar a fúria de uma namorada irritada, depois de passarmos uma tarde no escritório, depois de termos almoçado com a saudosa e santa mãezinha…podia continuar até o Sol raiar. É de facto mais fácil pensar que temos de tar no bar ás 11h da noite. Em boa verdade as horas, dias, etc., também não existem. Mas não compliquemos.

O que realmente interessa retirar deste estúpido devaneio é que, em última análise, o tempo não passa de algo irreal e realmente decadente e que o que para nós interessa são as pessoas! Podem voltar a haver tardes parecidas, mas nunca vão ser as mesmas. Pelo menos, aquele arco-íris com a mania que sabe jogar bilhar não vai mais brindar-nos com o seu jeito algures entre o inseguro e o arisco, com o seu sorriso, com a sua espontaneidade – repito, passa na cabeça de alguém roubar-nos a bola de bilhar?

Vais fazer falta!

E neste momento eu invejo aquele eterno jovem decrépito e abandonado, porque queria poder parar o tal tempo naquela tarde; ficar ali no jardim da Pipa e gozar do melhor do que a vida tem para oferecer: amigos, Sol, ice-tea, morangos…ah e uma mesa de bilhar!

sábado, 16 de junho de 2007

Aves

Estas não partem na Primavera, mas sim no Outono. Abrem as asas, elevam-se em direcção aos céus. E aí vão eles. Em direcção aos sonhos, à vida...

É sempre mais triste para quem fica. À espera da sua oportunidade para poder voar também. Dizem-nos que ainda temos as asas curtas, que temos de esperar. E lá ficamos nós a vê-los partir com um misto de felicidade e inveja.

Batem orgulhosamente as asas, aves realmente raras estas! E nós sonhamos como vai ser a nossa vez. A ansiadade entra em crecendo. Mais não seja pela saudade. E agora? Lá vai parte de nós, sabe-se lá bem para onde...

Não podemos realmente pedir que esperem por nós, cada um tem o seu tempo, mas podemos pedir que não se esqueçam de nós, não podemos?

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Equações matemáticas

Porque é que continuas a pensar que 2 + 2 são sempre quatro? Porque é que não há variáveis no teu mundo? Porque é que tudo é sempre regido por leis e normas? É assim. É sempre assim. Não há desculpa, atenuante, variante, hipótese, excepção... Tudo é certo e determinado.

Não, para mim não. Não te entendo; confesso. Talvez seja demais para mim, comum mortal. Mas para mim a razão não é tudo, não pode ditar tudo. Só funcionam as equações da maneira que a ju as escreve. Nem sempre 2 + 2 são quatro. Eu vivo assim. Incerto, é certo. Mas feliz.

E tu, és feliz?
Onde andas tu?

Sim, tu? Porque não haverias de ser tu?

Porque não seria este post para ti?

Sim tu, por onde andas?


É que, será que de onde andas me sabes dizer onde ando eu? É que eu não sei..

Atraso de vida

Era um explorador intérpido e ousado! Desbravou florestas, correu livre por praias desertas, cavalgou as ondas de cem mares. Governou navios, armadas, exércitos. Salvou donzelas, encantou damas, arrebatou mulheres. Conquistou fortalezas, nações, continentes, o Mundo, o Universo...

Acordou...

Mando-lhe uma mensagem de bons dias? Nah, melhor não...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A Outra Metade de Mim

One half of me is yours, the other half yours, mine own, I would say;
but if mine, then yours, and so all yours!

És uma grande egoísta pah!
Mas espera, se isto funcionar ao contrário o egoísta sou eu!!

Não admira que tenhas problemas de identidade!!

O importante é que, pela Natureza humana, não podemos gostar mais de nada do que nós próprios, logo, se tu és eu e eu sou tu, estamos bem assim, não é?

O homem

"Apres tout qu'est-ce que ça change
L'Homme saura toujours trouver
Toutes les femmes du monde entier
Pour lui chanter ses louanges
Des qu'il en sera lasse
Elles seront vite oubliées
Vraiment, vous n'étés pas des anges."

Johnny, Vaya con Dios

Gostei sinceramente da discrição: vocês não são nenhuns anjos.
Acho que aí é que está, nós não pretendemos sê-lo, vocês é que pensam que sim!

Apenas uma gota a juntar ao imenso oceano da incompreensão mútua de ambos os géneros.


P.S. Grande música e grande grupo! :)

Asas


Un, deux, trois…

E elas voavam pelo palco.
Arrebatadoramente belas.
E voavam de facto, nas asas da imaginação.

Un, deux, trois…mon soleil c’étais toi

Esvoaçantes, insignes…
A névoa de êxtase adensava…

Trois, deux, un…


Foi simplesmente fantástico!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Saudade


Maldito fado luso
Que assim me faz sentir
Esta opressão em peito recluso.

Maldito destino lusíada
Que assim me faz sofrer
Desdita digna de Ilíada.

Maldita fortuna lusitana
Que tem a glória de ser
Pior que as Tormentas e a Taprobana.

Maldita ventura da Ocidental fita
Que assim não me deixa esquecer
Maldita, saudade maldita.

The Almighty, Irving Wallace


Levanta-se. Resolve contratar um bando terrorista para fazer ataques por encomenda. Excentricidades de milionário. Decide raptar o Rei de Espanha fingindo ser a ETA. E depois talvez o Secretário-geral das Nações Unidas. Porque não assassinar o primeiro-ministro de Israel? Já agora vamos fazer explodir o Air Force One com Sr. Presidente dos EUA lá dentro. Bahhh, coisita pequena. Ah, não se pode esquecer de assassinar a mulher; sabe demais.

Assustador não?


Rússia

Escândalos:

Carolina Salgado publica um livro.
José Sócrates falsificou o diploma.
Eusébio é operado.
Um actor dos Morangos está no hospital.
(…)

Banalidades naturais:

Jornalistas assassinados.
Manifestações reprimidas ao estilo ditatorial.
Censura digna da PIDE.
(...)

Prioridades noticiosas ligeiramente baralhadas não?

Lisboa

Não, não vou dissertar sobre a situação da Câmara de Lisboa, do seu buraco orçamental, ou do Sr. Carmona, ou das eleições que aí vêm. Não, para isso lá estão os jornalistas ávidos de falências, violências e outros vocábulos acabados em “ências” (que o diga o Sr. Pinto da Costa). Apenas pretendo comentar um discurso de um candidato que ouvi no Jornal da 2:. Dizia o candidato à Câmara do Partido Monárquico (PM) do qual, peço desculpa, me escapa o nome que o seu programa se resumia a 3 pontos:

1º. Tornar o Parque Mayer e os Restauradores numa nova Broadway.
2º. Fazer os lisboetas gozar mais o Tejo oferecendo um barco a todas as escolas e associações.
3º. Organizar um Festival Internacional de Fado.

Caricato, não? To say the least.


Mas numa coisa há que dar a mão à palmatória: é original e não vem prometer o que não pode cumprir. Qualidade rara na política de hoje em dia!

Torpor Apático

Levanto-me. Verdade seja dita que cada vez com menos vontade. O dia passa. As mesmas conversas, os mesmos temas, as mesmas pessoas, a mesma rotina. Um teste, uma ficha, uma apresentação, um relatório, um trabalho…há sempre alguma coisa a preocupar e a enegrecer o horizonte próximo.

As criancices que me envolvem não têm a mesma piada, parece que andam cada vez mais infantis…Ou talvez a minha paciência não esteja nos seus dias áureos…
Basicamente estou farto. Farto ver de tudo na mesma. Nada muda…

Não há novidades…Asfixio sob o peso desta vida rotineira…

Deito-me. Adormeço sob o peso do cansaço e da rotina maçadora e fatigante.
Mais um dia…

Diriam muitos que pior seria se houvessem novidades más que agitassem as coisas mas para nos fazer chorar…Olhem, já nem sei!

Esta letargia mata-me.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Crónica falta de tempo

Alguém quer fazer o favor de me explicar onde pára o célebre aforismo: “Há tempo para tudo?” Cada vez me convenço mais de que não passa de uma ardilosa patranha para por os miúdos a estudar na ilusão de que vão ter tempo para ir jogar à bola. Mais uma, à semelhança do Pai Natal ou da Fada dos Dentes.

Somos “obrigados” a arranjar tempo para o que não queremos. Para fazer o chato do trabalho de Inglês, para aturarmos a tia-avó babosa no casamento do primo do cunhado do tia…

Contudo, não arranjamos tempo para estar com o amigo que não vemos à meses, ou para falar com a amiga que tem andado com problemas, ou para ir beber café com aquele pessoal que vemos esporadicamente.

Não arranjamos tempo para olhar as estrelas, para contemplar o horizonte, para nos estendermos ao sol, para lermos, para irmos ao cinema…

Não, não me venham com artimanhas, não temos tempo para tudo. Mais, não temos tempo para o que queremos… Isto soa-me à desmistificação da vida adulta aos olhos de uma criança que começa a crescer…

Eh, talvez seja isso mesmo.

Triste não?

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O Factor C

Apeamo-nos no Rato e tivemos que descer os célebres 600m até S. Bento. Aí deparamos com uma grande confusão na tal porta lateral. Uns sorrisinhos da Ana e o guarda já era todo por nós e pôs-nos numa fila à parte e lá nos garantiram a entrada naquele “Circo de Feras”. Ao passarmos pela segurança, a nossa simpatia conquistou o outro sô guarda que pelos vistos já tinha comido muito bem em Ourém…

Passou-se a manhã e já estávamos com fome. Quando íamos a sair encontramos a Dra. Maria José que devido a comentário “inocente” lançado pela Ana nos convida para almoçar lá na Assembleia: -“Se alguém perguntar, são meus convidados!”. E devido á gentileza da senhora lá almoçamos bacalhau com natas à pala dos cofres do estado!

Ora, durante o almoço, na amena cavaqueira, lá sugeriram que fossemos com o resto do pessoal no autocarro. Pelos vistos havia lugar. E lá puxou a Ana do seu magnífico sorriso para pedir uma “boleiazinha” até Leiria a Catarina do IPJ. Como temos cara de boas pessoas lá nos deixaram infiltrar. Viemos, então, até Leiria num autocarro que não pagamos e de lá para Fátima ainda tivemos boleia duns amigos.

Conclusão: não há nada melhor do que simpatia e conhecimentos para não se gastar dinheiro!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Trova ao vento que 'ainda' passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
(...)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre


O importante não é comemorar ou lembrar; o importante é não esquecer!

Porque o tempo que passa, não é só aquele que já passou, é aquele em que vivemos e em que presenciamos outras tantas nefandas atrocidades...

terça-feira, 24 de abril de 2007

Sininho

Aproxima-se de mim com aquela cara de caso tão sua característica e arrasta-me por um braço para um canto.
- "Queria pedir-lhe para ficar cá à tarde..."
- "Boa!! Acho que fazes muito bem!"
- "Mas tenho vergonha!"
- "Oh sininho! Por favor!"
- "A arco-íris disse que não se importava de lhe pedir!"
- "Um bocado «à cachopo», mas melhor do que nada!"
- "Mas queria ser eu a dizer-lhe!"
- "Então escreve um bilhetinho numa aula..."
...
A manhã passa-se nisto...Qual a melhor forma de lhe dizer? Escrevo um bilhete? A dizer o quê?
...´
1h00_Matemática:
- "Já falas-te com ele?"
- "Não lhe vou dizer nada..."

Bom demais para ser verdade?

Onde estão estão os teus pozinhos mágicos, Sininho?
E a atitude de fada impetuosa, Sininho?
E a wonderland, Sininho?


"Begin at the beginning and go on till you come to the end: then stop. "

Lewis Carrol, Alice's Adventures in Wonderland. Said by the King to the White Rabbit

domingo, 22 de abril de 2007

Omnipotência paradoxal...

Este é, de facto, um paradoxo muito interessante que li no livro A Fórmula de Deus. Sobre Deus, dizemos que é omnipotente.

Se Deus é omnipotente consegue fazer tudo.
Até criar uma rocha tão pesada que nem ele a possa levantar.
Contudo, se ele não consegue levantar essa rocha não pode ser omnipotente!

A mensagem

Soou uma gargalhada a meu lado. Não era alegre, mas sim forçada. Arrancada com esforço com o fim de demonstrar desafectação, despreendimento. Mas como qualquer gargalhada contrafeita, era abafada, falsa, sem graça.

Aproximou-se de mim, com aquele ar falsamente despreocupado que eu aprendera a reconhecer. Passou-me o telemovel para as mãos dizendo com afectada desafectação: "Lê isso".

Li. Fiquei parvo. Não há outra expressão. No meio da estupefacção surgiu a esperança pelo tão mal disfarçado desinteresse."Porque não respondes?"

Olhou-me como se olham os doentes mentais: com incompreensão quase piedosa. Mas lá respondeu com impaciência na voz: "Para quê?". Devolvi-lhe o telemóvel, encolhi os ombros. Aquela era uma batalha que eu já perdera muitas vezes...

Á conversa sobre essa mensagem , Sininho, apenas tenho a acrescentar uma outra Mensagem:

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor."

sábado, 21 de abril de 2007

Uma viagem de comboio...

É incrível o que se consegue fazer durante uma única viagem de comboio...

Entramos com aquele brilho no olhar. Vinhamos felizes! Todavia, devido ao cansaço, atiramo-nos mais do que nos sentamos nos bancos, calhando-nos por companhia um senhor de meia-idade. Com o espírito e descaramento que tão bem nos conhecem, montamos um autentico piquenique no meio da carruagem onde insólitos manjares se revelaram: queijos frescos oferecidos no centro comercial, Golden Grahams e maçãs oferecidos na FIL; não se admirem: afinal, vida de estudante não é fácil! Escusado será dizer que tal "refeição" foi pautada pelo riso, pelo divertimento e pelos olhares desconfiados dos restantes passageiros. O nosso companheiro de viagem, contudo, parecia achar-nos graça e olhava-nos como se pensasse nostalgicamente na sua própria juventude...

Entabulamos conversa com ele a propósito de um livro das obras completas de Oscar Wild em inglês recém-adquirido na Bertrand. Perguntou se podia dar uma vista de olhos e comentou a estranheza que sentia ao ver pessoas da nossa idade interessarem-se por tais obras, ou melhor, pela literatura de todo...Pensamento legítimo e recorrente; infelizmente...

Após breve discussão sobre a profundidade de um dos poemas do livro que dissertava sobre o tempo, a letargia apoderou-se de nós devido à fadiga. E durante algum tempo a viagem decorreu assim, silenciosamente marcada pelas paisagens das infindáveis lezírias ribatejanas.

A propósito de uma qualquer piada despertamos e as conversas e os risos subiram de tom. Falou-se de tudo: de trivialidades, das terras que deixavamos para trás, das experiências que levavamos conosco; sempre com participação activa do nosso companheiro. Pelo meio houve quem fosse tentar vender queijo fresco aos restantes passageiros! Tentativa de negócio que não muito frutífera como devem imaginar, mas que nos proporcionou umas belas gargalhadas...

O nosso companheiro deixou-nos no Entroncamento, assim como a grande maioria dos passageiros. Com a carruagem quase deserta, continuamos a viagem, mesmo não tendo pago esse troço. Desinibidos com a escassez de passageiros, demos largas à imaginação e rapidamente montamos um estúdio de fotografia. A risota foi constante até ao destino e as fotos digas de rivalizarem com as famosas fotos artísticas da Ana...

Desembarcamos com os pés pesados, mas ligeiros de espírito.

Digam o que disserem, o comboio não é um mero meio de transporte. É uma forma excelente de conviver que tem a vantagem adicional de nos levar onde queremos!