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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

D'Aquém politiquices: d'o excepcional poder de antevisão dos nossos políticos


Qualquer pessoa honesta e que aja de boa-fé estará disposta a concordar com a ideia de que os nossos políticos têm uma capacidade ímpar de realizar projecções realistas, mesmo que sejam a 10 anos. Se alguma dúvida houvesse, bastaria relembrar as projecções certeiras do exilado em Paris e do seu Ministro das Finanças. Pois bem, é mais uma vez o mesmo quadrante político que nos dá provas de inigualável capacidade de previsão: pese embora o Orçamento do Estado para 2012 apenas ter "apresentacao marcada para 15 de Outubro, a bancada do PS discutiu hoje - 29 de Setembro - o sentido de voto". Que génio, que rasgo o destes políticos! Realmente, a culpa do estado a que chegámos deve-se, indubitavelmente, à crise internacional e aos malvados dos especuladores.

(Via Filipe Nascimento no 31 da Armada).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

D'Além Jugular: Perdidos na Demagogia

João Galamba publicou à pouco no Jugular a seguinte informação.

Desde já, creio eu, fica todo e qualquer um que leia a mencionada pérola extremamente agradecido pela generosidade do autor em as distribuir assim. Pretende o autor interpretar os resultados da famigerada sondagem sobre os cortes na despesa pública, em que a esmagadora maioria da população portuguesa lhes manifestou o seu apoio e a crença na sua inevitabilidade. Advoga então João Galamba que o apoio dos portugueses a medidas de corte na despesa pública não implica "qualquer apoio entusiástico aos cortes na saúde, educação e segurança social que aí vêm". Conclui dizendo: "Agora que já se percebeu que, de acordo com a estimativa do próprio governo, o corte nas gorduras equivale apenas a 100 milhões de euros, talvez valesse a pena refazer a sondagem e perguntar de novo." Fica uma pérola para a hermenêutica.

Adivinha-se aqui uma dupla contradição. Sendo o objectivo perceptível da publicação o de relativizar os dados da sondagem, procurando afirmar que não revelam apoio às políticas do Governo, João Galamba afirma que os portugueses não apoiam os cortes na educação, saúde e segurança social. Mas conclui que a sondagem deveria ser refeita devido aos cortes nas despesas já anunciados não em qualquer uma dessas áreas, mas no funcionalismo da Administração Central. Por outro lado, dá a entender que os portugueses apenas se revelaram tão magnânimos no seu apoio a estas políticas porque a maioria ainda não foi posta em prática. Assevera assim, que a sondagem deveria ser repetida agora que se sabe que apenas foram cortados 100 milhões. Fica-se na dúvida se, afinal, os portugueses não apoiam estas políticas porque elas cortam demais no sacrossanto Estado Social, se porque elas cortam de menos, tendo-se apenas poupado 100 milhões até agora. Afinal, qual será essa verdadeira opinião das massas portuguesas que só o autor conhece: não apoiam os cortes no Estado Social, não apoiam os cortes no funcionalismo, não apoiam os cortes de todo ou acham que afinal os cortes ainda são poucos?

Quando os argumentos falham, lançam-se afirmações sonantes mas desconexas para tentar fazer passar a falácia. Já agora atente-se também no desprezo pela capacidade crítica dos portugueses - que afinal andam todos a engolir patranhas do Governo -, desprezo esse vindo de quem tanto defendia a "sacralidade" da opinião popular que sustentou um desvario de 6 anos. Enfim, fica a sensação que João Galamba considera que o povo é estúpido e crédulo, mas que isso só é um problema quando a credulidade popular não apoia a sua ideologia (ou falta dela).

(Image copyrights:  www.cartoonstock.com)

domingo, 18 de setembro de 2011

D'Aquém: A Madeira de uma Cruz

A blogosfera e o jornalismo, reflectindo a opinião pública portuguesa no geral, sofrem de uma falta de coerência estonteante. De mim não se lerão palavras em defesa daquele estulto senhor que (des)governa a Madeira, mas a crucificação e apedrejamento público a que ele se viu sujeito nos últimos dias têm sido hilariantes. Relembrar o passado recente é exercício mental indispensável à manutenção da coerência nas posições que assumimos. Uma coisa será dizer algo aos 18 e o seu contrário aos 38. Outra bem diferente é ventilarmos a opinião da moda sem o pudor de nos prendermos às convicções que tão acerrimamente defendíamos há três ou quatro anos. É o velho adágio: dois pesos e duas medidas.






"A Madeira é a cruz da República!!" oiço-os brandar histericamente! A Madeira, meus caros, é mais uma acha para uma fogueira já bem viva. Nada tenho contra o apedrejamento político desse senhor. Cada um faz a cama em que se deita. Mas poderia vir cheio de azedume defender o erro actual com os indultos generosamente concedidos a erros semelhantes no passado. E embora muitos chamem a tal exercício o expoente de uma retorcida e balofa retórica, não deixa de ser curioso que essa seja precisamente a base da jurisprudência. Mas não, não vou ser desses.

Mas sou dos que se revolta quando as massas arranjam um bode-expiatório que, na memória colectiva, em pouco tempo se tornará o Diabo na Terra, gerador de todo o pecado e sofrimento lusos. E na cruz em que se há-de pregar este pecador se hão-de redimir os actos e omissões de tantos outros. Mas este, o condenado, não dará em religião. A verdadeira religião e fanatismo será a dos redimidos, cujo advento surgirá dessa celestial Cidade das Luzes e é aguardado por muitos que nestes tempos de trevas jogam pelo Seguro. E envolto nas Luzes da filosofia virá, com infinita sapiência, julgar madeirenses e continentais e o seu Reino não terá fim. Ámen.

Entre o senhor da Madeira e os que por cá, no Continente, se quedaram nos últimos anos, quem de facto se vê crucificado é o contribuinte.

(Na imagem: A Crucificação do contribuinte português, um impressionante trabalho de ante-visão do século XVII por Vouet)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

D'Aquém Governação: Mitos e Desmitos

Sei que por esse país fora anda o ensino de Matemática pelas ruas da amargura. Mas custa-me, não obstante, ouvir e ler tantas e repetidas vezes mentiras debitadas à boca cheia. Interpretações à parte aí ficam os números. Cada um fará deles a análise que bem entender. Mas os números são estes. E como dizia o outro: contra factos não há mesmo argumentos.

Nos últimos 15 anos de governação em Portugal - mais precisamente entre as eleições legislativas de 25 de Outubro de 1995 e as eleições legislativas de 5 de Junho de 2011 - usufruíram de poder executivo 6 Governos Constitucionais. Quatro liderados pelo PS, sempre sozinho - (Guterres I, Guterres II, Sócrates I e Sócrates II) - e dois liderados pela coligação PSD-CDS (Barroso e Santana).

Entre 25 de Outubro de 1995 e 5 de Junho de 2011 passaram-se 5715 dias. António Guterres governou 2352 dias desse total, a coligação PSD-CDS governou 1071 dias e José Sócrates governou os restantes 2292 dias. Ou seja, dos últimos 15 anos, a coligação PSD-CDS responde por 18,74%, António Guterres por 41,16% e José Sócrates por 40,10%.

Daqui se retira que dos últimos 15 anos de governação em Portugal, o Partido Socialista esteve à frente dos desígnios desta Nação durante 81,26% do tempo. Ou seja, 4/5 dos últimos 15 anos. Não necessitando de arredondamentos, o PS governou 12 dos últimos 15 anos e (para quem prefere trabalhar à década) 7 dos últimos 10.

Tudo isto foi completamente evidente no último congresso do Partido Socialista e na postura do seu novo líder António José Seguro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

D'Além Delito d'Opinião: Administração Pública

 Aqui transcrevo o meu comentário deixado aqui, no blog Delito de Opinião:

Creio que nem o Rui entendeu bem o contexto do que escrevi, nem eu o terei escrito com a precisão necessária a quem quer ser bem interpretado.

Para mim, existe uma enorme diferença entre um trabalhador dependente do estado (onde temos de incluir médicos e demais pessoal hospitalar, professores, polícias, juízes, etc.) e o funcionalismo público, aquela administração pura e dura, dos caciques e cunhas. (E aceito que me redargue que tal distinção não tem propriamente tradução oficial).

O que gostava que compreendesse, é que quando afirmo que: andam 500 mil indivíduos (singulares e colectivos) a pagar com o seu trabalho a vida a cerca de 4 milhões de dependentes do Estado (directos e indirectos); não pretendo criticar implicitamente os profissionais que de facto constituem o alardeado Estado Social, mas sim aquele segundo grupo de indivíduos, o arquétipo de funcionário público, com o seu empregozinho.

Ademais, permita-me que lhe recorde que o Estado Social - no qual não se pode tocar, que aqui d'El-Rei que nos roubam e valha-nos a Santa Engrácia que isto é um país de ultra-liberais! - esse Estadozinho não tem na sua dependência apenas escolas, hospitais e tribunais. Parafraseando o famigerado post do agora Ministro da Economia:

"[Dependem do Estado] 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes (...), 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, (...), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais."

(Note que a estrutura ministerial ainda é referente ao consulado de Pinto de Sousa).

Continuando a caracterização deste funcionalismo público que espero que V.Ex. não defenda tão acerrimamente quanto a classe médica, gostaria já agora de lhe chamar a atenção para a despesa real deste dito "Estado Social". Para poder argumentar com alguma propriedade fui retirar os valores ao OE2011. (Valores em milhões de euros). Repare que as despesas correntes do M.Saúde (8365,5), M. Educação (6261,5), M.Ciência e ES (1.868,5) e a despesa de pessoal do M.Justiça (1076,1) somam algo como €17.571,6 milhões. Se contrapuser o somatório das despesas correntes dos Encargos Gerais do Estado (1353,9), Presidência do Conselho de Ministros (228,4) e de pessoal dos MNE (352,9), MD (1823,7), M.Econ. (140,1), MOPT (120,8), M.Agr. (222,3) e do M.F. e Administração Pública (19007,0). Só essas despesas do funcionalismo puro e duro dão algo como €23249,1 milhões. E falta aqui Sector Empresarial do Estado, prémios, ajudas de custo, pensões, contratos com as empresas dos amigos, primos e cunhados, pareceres milionários a escritórios de advogados e tudo e tudo e tudo o mais.

Acho que elucidei o porquê de para mim essa máquina do funcionalismo público ser o Diabo na terra! Porque é que passada uma década a ouvir previsões catastróficas dos Professores Bambo e Medina Carreira ninguém mexeu uma palha para mudar a situação? Porque sempre houve muito milhões de portugueses com milhares de milhões de razões para que nada mudasse.

Foi o clássico "quanto pior, melhor". Até à bancarrota. E quando entrámos em bancarrota (não tenham ilusões aí), alguém nos estendeu a mão e disse: e agora que continuem a pagar os que sempre pagaram que isto é uma questão de patriotismo pah! Tudo pela Nação, nada contra a Nação! Salve-se a pátria do Belzebu dos mercados que foram os grandes arquitectos desta crise! Ámen

D'Além Memória e d'Aquém Vergonha

Via: Cachimbo de Magritte.

Rádio Renascença: António José Seguro considera que quem colocou a Madeira na bancarrota não pode agora pedir que outros paguem a dívida. “Nós ouvimos o líder regional do PSD dizer que precisava rapidamente de dinheiro. O PSD-Madeira pôs a Madeira na bancarrota, tem um buraco colossal, gaba-se disso e pede que sejam os outros a pagar a factura da sua irresponsabilidade”, acusa o líder do PS. 

Segundo a lógica do Tó Zé, temos mesmo é que fazer novas eleições e pôr o PS no governo o quanto antes, porque isto afinal quem leva os Estados à bancarrota é que se deve responsabilizar e pagar a factura. É uma injustiça e violência exigir-se agora do PSD que reponha as coisas na ordem, quando os Governos PS dos últimos 6 anos nos deixaram neste estado. O sentido de dever de Tó Zé é tão grande, que propôs ainda um imposto extraordinário sobre todos os rendimentos dos 90% de delegados do PS que apoiaram cegamente José Sócrates no último congresso. Não faz sentido, diz Tó Zé, que os portugueses que têm dois dedos de testa paguem pela obstinação inconsequente de alguns!

domingo, 11 de setembro de 2011

D'Aquém Ignomínia: Congresso do PS

Sobre a falta de vergonha e o opróbrio público a que se sujeitam indivíduos que, a bem do país, se esperaria que tivessem mais valor, alguém já disse tudo o que há para dizer:


"Le ridicule déshonore plus que le déshonneur."
Maximes (326), de Francois, Duque de la Rochefoucault

Tradução livre: O ridículo desonra mais que a própria desonra.




Modos de Vida

Hoje de manhã (dada a hora, ontem para os mais escrupulosos), lá fui tomar a minha bica matinal à pastelaria do largo onde habito. Cliente que sou da casa há anos, lá fui recebido com um sorriso e um enérgico bom dia de quem trabalhava já desde as 6h da manhã. Esbocei um meio-sorriso e grunhi um bom-dia que não enganava ninguém. Eram 11h da manhã e acabava de acordar. Uma das moças do café, que me servira no dia anterior, indagou com piedade se sempre tinha finalmente dormido. É que sabia a moça, por uma outra casual conversa entre um chávena cheia e uma chávena vazia no dia anterior, que eu havia feito uma directa para estudar. Lá lhe confidenciei que tinha despachado tudo e que na última noite me desforra a bom desforrar e dormira 12h. Não sei bem como, entre uma lamuria e o tempo, foi a conversa parar à vida de funcionário público. Fez-se a devida ressalva que não se falava dos profissionais liberais ou dos homens do lixo, era mesmo daquele funcionário, que tem um emprego e recebe um vencimentozinho.

Dizia-me a moça que desses conhecia muitos que iam lá ao café todos os dias. (Vivo bem no coração de Lisboa). Que sabia, por conversas que não podia deixar de ouvir,que picavam o ponto lá no departamento ou repartição ou o que fosse e iam ali para o café cavaquear animadamente das 9h às 9h30. Que lá voltavam para almoçar e se quedavam habitualmente 2 horas no repasto. E sabia que despegavam do emprego cedo, que lá por essas 4h30 passam a levantar encomendas para levarem para casa. "Têm uma rica vida, é o que é". No meu último golo de café dizia-me ela: "Sabe menino, a mim o que me custa é estar aqui das 6h às 17h, receber uma miséria da qual me tiram quase metade para pagar ordenados a essa gente e ainda, vendo o que vejo, ter de os ouvir queixarem-se-me de que andam sempre tão cansados...". Soubessem eles o que é trabalhar, remato eu com um encolher de ombros que é a personificação do fado luso.


Suspiro eu, suspiro ela. Então até amanhã. Até amanhã menino.



sábado, 3 de julho de 2010

D'Aquém: a Alegria

Numa alegre reunião, subiu Alegre alegremente ao palco para nos brindar com mais uma tirada de alegre humor:

"Não quero na Presidência alguém que tenha a superstição dos mercados"

O senhor Alegre depois de tanta convivência com o senhor de Sousa ganhou o gosto a criar jogos de ilusão - como o recente de que os nossos níveis de desemprego estão em linha com a Europa. O senhor Alegre talvez me queira convencer que o 1% que estamos a pagar a mais de IVA desde anteontem, ou o próprio desemprego que não desce, ou a subia dos juros da dívida pública também são todos superstições e mistificações.

O senhor Alegre que continue a escrever trovas à Bandarra e não venha todo néscio e estulto dizer que não percebe nada de Economia para de seguida nos presentear com pérolas destas. Fique-se com o reconhecimento de que de facto de Economia nada percebe e tenha um bom dia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Chegou de Expresso porque ainda não há TGV

Chegou ao Expresso (que pessoalmente considero a publicação mais fidedigna da imprensa nacional) o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Numa reviravolta desconcertante, se não inesperada, o semanário converte-se à nova seita linguística endereçada pelos senhores de S.Bento. Não entendo a leveza de espírito com que o jornal publicou a sua decisão, nem como aceita tão cordialmente denominar os espectadores de um qualquer evento com um vocábulo que mais se aplicaria a um bandarilheiro de tourada: espetadores.

Embora entenda a necessidade de evolução de uma língua e a situação dos hífenes e outros detalhes que tais não me façam a menor confusão, não consigo ficar indiferente ao assassínio de palavras como acção, recepção, vector ou baptismo. É que talvez quem de competência se não tenha apercebido, mas embora os cês e pês destas palavras sejam mudos, não são inúteis. Servem para que, quando lemos estas palavras, abramos vogais que de outra forma se deveriam ler fechadas. Assim, lemos "áção" "recéção", "vétor" e "bátismo". Sem as consoantes mudas, passamos a fechar todas essas vogais. Boa sorte para quem quiser falar assim, eu não consigo nem quero.

Embora me escude no facto de a minha rejeição do Acordo Ortográfico se fundamentar em razões linguísticas (fonéticas, etimológicas...), interrogo-me se não serei simplesmente um conservador. Mas não tenho nada contra neologismos ou novas relações semânticas ou novas construções sintácticas, mas isto de mexerem na ortografia desta maneira irresponsável não me cai bem. Esta má disposição, à falta de alternativa que se me afigure, imputo-a ao bom senso.

Claro está que não se poderia esperar que os frequentadores dos Paços de S.Bento padecessem desta minha má-disposição. A lógica, o nexo e a coerência nunca figuraram na lista das suas preocupações; seria ingénuo esperá-lo agora. Esfaqueiam esse pobre coitado do bom-senso sempre que têm oportunidade, qual bandarilheiros, verdadeiros espetadores (sem "c"). Das últimas facadas a mais profunda deve ser aquela da construção de um comboio de alta velocidade entre duas capitais que não parte de uma nem chega à outra. Mas jubilemos, que isso tornou a nossa ligação de alta velocidade à Europa (como se não fossemos já parte desse continente) um passo mais próxima.

E nesses tempos áureos de prosperidade que nos trará o TGV, estas ideias peregrinas como a do Acordo já não precisarão de nos chegar de Expresso, que isso será coisa do passado.

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