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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

D'Aquém Minh'alma: Termodinâmica

Cenário pensativo d'ilusão
Contemplava absorto do real,
Enredado em dédalo de paixão.

Ilusão minha, quente.
Não tua! De mármore esculpida.

O café quente, fervente
Na mesa de frio metal
Fumegando espirais de vida.
E a ilusão de vapor ardente
Esvaecendo-se em atmosfera glacial
Etérea e de artifícios despida.

Caem as folhas merescentes,
Alvorada fria d'invernia.
Vão-se as ilusões inocentes,
Rodopiando em graciosa ironia.

Vento gélido! 
Chapéu que abana, casaco que ufana,
Horizonte qu'enovoa, bota qu'escorrega na lama.
Folha de ilusão caída que voa.

Rodopiando o fumo do café,
As folhas p'lo ar, a minha mente,
O meu chão, o anélito até
Qu'entrecortado m'atraiçoa o coração.

Tu não! Finamente esculpida!
Mármore d'indiferença! Sentida em vão
A minha terna bem-querença.
Tu não!

De ti leva o vento os cabelos,
De mim leva as ilusões
De nós.

--------o-------

Arrepio.
Não o vento.
Tu que passas.

sábado, 10 de setembro de 2011

D'Além Romantismo: O peso da palavra

I somethimes hold it half a sin
To put in words th grief I feel:
For words, like nature, half reveal
And half conceal the soul within.

In Memoriam A.H.H, de Alfred, Lord Tennyson.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

D'Aquém Minh'alma: À tona d'água

À tona d'água

Flutuo em lânguido olvido
D'ali e d'além esquecido
Em mim, marasmo momento;
Mergulho em mar calmo e lento.
Fluem as águas salgadas
Em leito ondulante tornadas.
Sobre elas medito suspenso
Que estou entre mim e o imenso.

Oscilo qual pêndulo d'horas
Há muito perdidas. D'aquém e
D'além venho em vagas, vãs horas
Sentidas; balanço perdido.

Perpétua procura pedante
De mim malograda. Perpétua
Minh'alma perdida entre mares
Por fátuo fogo inflamada.

Aqui desencontro-me leve,
Vagueio imerso em fluxo
Corrente sem 'spaço, sem tempo,
Em límpido líquido, livre
De mim e do mais que é nada.
Aqui fico em 'spera qu'engenho
De corpo ou mente; que a ponte,
Eflúvio de louco ou dolente,
Me leve d'aquém a minh'alma.

31 de Agosto de 2010