Via Miguel Noronha, no Cachimbo de Magrite.
Muito se tem alardeado sobre a dívida oculta da Alemanha. Diz-se inclusive que a dívida alemã supera, afinal, a dos periféricos. E acreditam os néscios ser isto verdade, mesmo depois de, face a tão bombástica notícia, os mercados não terem entrado num frenesim esquizofrénico, nem os juros da dívida alemã se terem alterado. E há quem no cúmulo da estultícia os repita. Como no meio desta pseudo-informação há sempre quem tente repor a verdade, aí fica o link para quem a quiser compreender (sem economês à mistura...).
A Alemanha, apesar de tudo tem uma dívida considerável. Ademais, a Alemanha sancionou informalmente as políticas económicas dos periféricos durante anos a fio, porque isso lhe alimentava a indústria exportadora. A Alemanha não tem moral para exigir perdas de soberania pelos incumprimentos dos tratados. A Alemanha não será propriamente uma donzela pura, sem pecado a apontar neste seu regime pós-II-Grande-Guerra, mas avançar dados falaciosos contra uma Nação que por estes dias nos dá mais uma prova do seu brio e sentido de dever histórico é desonesto.
(Imagem via: Felizardo Cartoon)
Contradições, ambiguidades, paradoxos, hesitações, antinomias, incertezas, erros, equívocos, enganos... disto é feito o mundo que me rodeia assim como eu mesmo...no fundo, não passamos de acordes dissonantes numa monumental mas desarmoniosa sinfonia...aqui vão apenas algumas "notas" d'aquém e d'além minh'alma para ajudar ao todo...
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
D'Além Atlântico: Desespero eleitoralista?
Ele sempre há gente com uma descomunal lata! Disse Obama ontem ao Mundo a partir da Califórnia algo como:
"o fracasso da Zona Euro [deve-se] à ausência de regulação do sector da banca e ao atraso na resposta aos problemas que foram surgindo."
Isto vindo de alguém que lidera um país cujas políticas de desregulação da Administração Central e da Reserva Federal permitiram a bolha do mercado imobiliário e o crash dos mercados devido aos activos tóxicos da banca de investimento e que, consequentemente, há pouco mais de 3 anos mergulharam o Mundo numa crise económico-financeira. Isto vindo de alguém que há até bem poucos dias andava a contar as horas para o incumprimento do próprio país devido às desavenças politiqueiras no Senado e cujo atraso na resposta agravou a volatilidade dos mercados com consequências nefastas para a nossa própria crise dívida.
Não é que eu discorde da análise. Mas isto lançado assim, do topo do púlpito moral do laureado com o Nobel da Paz, que moral para falar tem pouca ou nenhuma (e paz de espírito também não, que está a ver a reeleição cada vez mais longe), isto, dizia, é coisa para me dar uma reacção alérgica de moderada a forte... Vou à procura dos anti-histamínicos.
"o fracasso da Zona Euro [deve-se] à ausência de regulação do sector da banca e ao atraso na resposta aos problemas que foram surgindo."
Isto vindo de alguém que lidera um país cujas políticas de desregulação da Administração Central e da Reserva Federal permitiram a bolha do mercado imobiliário e o crash dos mercados devido aos activos tóxicos da banca de investimento e que, consequentemente, há pouco mais de 3 anos mergulharam o Mundo numa crise económico-financeira. Isto vindo de alguém que há até bem poucos dias andava a contar as horas para o incumprimento do próprio país devido às desavenças politiqueiras no Senado e cujo atraso na resposta agravou a volatilidade dos mercados com consequências nefastas para a nossa própria crise dívida.
Não é que eu discorde da análise. Mas isto lançado assim, do topo do púlpito moral do laureado com o Nobel da Paz, que moral para falar tem pouca ou nenhuma (e paz de espírito também não, que está a ver a reeleição cada vez mais longe), isto, dizia, é coisa para me dar uma reacção alérgica de moderada a forte... Vou à procura dos anti-histamínicos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
D'Além R.U.: Fog in the Channel. Continent cut off.
Uma coisa é certa: para o melhor e para o pior a Europa está a mudar. Já ninguém consegue entrever aquela Europa meia-real meia-sonhada dos anos 90, quando o optimismo que se seguiu à Reunificação Alemã alimentou tantos ideais e ambições. Certo é, também, que por terras de Sua Majestade Britânica nunca houve propriamente entusiasmo quanto ao projecto europeu. Menos certos serão sempre os sinais que se tentarem ler nas declarações dos políticos. Mas, por solidariedade, pudor ou hipocrisia, não seria expectável no meio político britânico que um PM se dirigisse à UE nestes termos. Parece que os fence sitters britânicos estão finalmente a pender para um dos lados. E não é o de mais integração europeia. E quando pensamos no lodaçal em que o Velho Continente se tornou, quem os pode criticar?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
D'Além Macedónia: Jihad na Europa
Os relatos de actos violentos por parte do movimento Wahabi crescem pelos Balcãs em número e ousadia. Desde que soldados extremistas sauditas se vieram instalar nos Balcãs, durante a conturbada década de '90, que uma rede defensora do fundamentalismo islâmico tem crescido na região. Surpreendentemente, as principais vítimas não têm sido as populações cristã e ortodoxa (maioritárias em muitos estados da região), mas sim os islâmicos moderados. O mais recente aconteceu hoje na Macedónia, como relata o AdnKronos Internacional.
É uma estratégia corriqueira dos fundamentalistas, estes ataques às facções moderadas, incutindo um clima de medo, que estas são impotentes, na sua moderação, de combaterem. Uma perspectiva do modus operandi dos fundamentalistas muitas vezes desconhecida ou propositadamente ignorada no Ocidente.
Um outro na mesma linha de acção ocorrido hoje teve lugar em Lahore, no Paquistão, matando 50 pessoas, como nos relata a Foreign Policy.
De lamentar é falta de interesse da opinião pública Europeia em relação a problemas em estado embrionário. Quando há centenas de mortes (Iraque), manifestações gigantescas (Irão) ou golpes militares sangrentos (Bangladesh) isso é notícia. Choca e dá audiências. Não digo que o fundamentalismo nos Balcãs vá atingir as mesmas proporções que no Médio Oriente, mas é um fenómeno em franco crescimento e poucos lhe dão atenção. O problema está aqui, à porta da Europa e alguma coisa se deveria fazer. Quantos serão precisos morrer antes que isso aconteça?
É uma estratégia corriqueira dos fundamentalistas, estes ataques às facções moderadas, incutindo um clima de medo, que estas são impotentes, na sua moderação, de combaterem. Uma perspectiva do modus operandi dos fundamentalistas muitas vezes desconhecida ou propositadamente ignorada no Ocidente.
Um outro na mesma linha de acção ocorrido hoje teve lugar em Lahore, no Paquistão, matando 50 pessoas, como nos relata a Foreign Policy.
De lamentar é falta de interesse da opinião pública Europeia em relação a problemas em estado embrionário. Quando há centenas de mortes (Iraque), manifestações gigantescas (Irão) ou golpes militares sangrentos (Bangladesh) isso é notícia. Choca e dá audiências. Não digo que o fundamentalismo nos Balcãs vá atingir as mesmas proporções que no Médio Oriente, mas é um fenómeno em franco crescimento e poucos lhe dão atenção. O problema está aqui, à porta da Europa e alguma coisa se deveria fazer. Quantos serão precisos morrer antes que isso aconteça?
D'Além Bruxelas: as promessas estão feitas!
Discussão da estratégia da União Europeia para 2020 com incidência nas reformas do sistema financeiro. Durão Barroso mantém-se fiel a si mesmo: suave e nada assertivo. Fica uma ideia de leviandade no ar no que respeita à regulação do sistema bancário, uma vez que Barroso se recusa, como sempre, a dar força aos discursos que faz, na tentativa de agradar a Gregos e Troianos. Algo muito Português, diga-se de passagem, a de dar uma no cravo e outra na ferradura. Algo que não é necessariamente mau e que no passado nos salvou de apertos, enquanto país pequeno a navegar em águas internacionais turbulentas. Cf. Grande Cisma da Ocidente (séc. XIV-XV), a neutralidade de D.João V (séc.XVIII) ou de Salazar (séc.XX). O segredo da diplomacia à portuguesa é parecer ceder a todos, não assumindo posição de força e assim os levar onde queremos. Estaria isto muito bem não fosse a falta de ambição subjacente e os fracos resultados que esta atitude prenuncia. Com esta atitude pouco mais se consegue que um status quo, que em momentos do passado poderá ter constituído um grande ganho político, mas que na situação económica actual da UE é tudo o que não precisamos. Veremos se Barroso se revela neste seu segundo consulado e se consegue impor rumo às reformas que a União Monetária desesperadamente necessita.
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