Contradições, ambiguidades, paradoxos, hesitações, antinomias, incertezas, erros, equívocos, enganos... disto é feito o mundo que me rodeia assim como eu mesmo...no fundo, não passamos de acordes dissonantes numa monumental mas desarmoniosa sinfonia...aqui vão apenas algumas "notas" d'aquém e d'além minh'alma para ajudar ao todo...
sexta-feira, 1 de julho de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Conversas de vão de escada
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Frases que valem a pena III
"Se a vida é isto, aceitemo-la corajosamente como ela é, e avante! Aprenda-se a ser desgraçado, visto que é essa a mais segura maneira de se ser feliz!"
in O Mistério da Estrada de Sintra, Eça de Queiróz e Ramalho Ortigão
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
D'Aquém Minh'alma: À tona d'água
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Frases que valem a pena II
Visconde Bolingbroke (1738)
domingo, 4 de julho de 2010
Omnia vincit amor ou o sonho de uma noite de Verão
O murmúrio declinou e cedeu. O silêncio quente de Julho inundava o largo já apinhado de rostos expectantes. O universo sustinha-se em compasso de espera. Soaram ténues e diáfanos os primeiros acordes na noite luminosa de Estio. Delicados e oprimidos ainda pelo calor da expectativa silenciosa. Sob comando magistral, outros acordes e tons se vieram sobrepor aos primeiros, ampliando-os, enriquecendo-os paulatinamente. As harmonias cruzaram-se, entrelaçaram-se, fundiram-se em arabescos fluidos e etéreos. Teceram-se no ar quente as tramas e desditas do famigerado casal de
Verona; num caleidoscópio ardente em constante metamorfose, que não olvidava a sua génese, antes a engrandecia, multiplicava e transmutava em outras cores consubstanciais à primeira. Brotou assim entre arco e corda, entre lábios e metal, um Amor quente que dimanou pelos ares contagiando as orbes celestes. Os olhos enamorados perfulgiam na assistência, na dama à varanda e no firmamento, fazendo recuar a noite face à força avassaladora deste Amor. Agigantou-se, alimentando-se da sua própria vitalidade ardente, da sua crença contumaz na sua imortalidade. As suas reverberações cada vez mais intensas, impetuosas e inflamadas propagavam-se aos corações e a todo o universo. Os arrepios desciam pela coluna em frenesim incontrolável, despoletados pela violência fervorosa com que os arcos acariciavam as cordas. E subitamente a morte. Qual trovão no denso ar estival, a tudo põe fim. Inexorável, despiedada, atroz. Dos lamentos fúnebres renasceram em crescendo os acordes daquele Amor imperecível. Força vital inextinguível, que noutra tonalidade, noutra cor, noutra dimensão se ergueu sobre o seu carrasco, glorioso e triunfante. Rindo da morte em vibratos e crescendos, qual Otelo, roubando algo a quem tudo lhe roubara. Ressurrecto, não julgou nem puros nem pecadores; antes a todos afagou em acordes que se perderam em fragrâncias rubras e radiâncias oloríferas. Os tons esvaeceram-se e o encanto desfez-se. Comigo ficou o sonho de uma noite de Verão.
"Did my heart love till now ? Forswear it, sight!, For I ne'er saw true beauty till this night"
sábado, 3 de julho de 2010
D'Aquém: a Alegria
"Não quero na Presidência alguém que tenha a superstição dos mercados"
O senhor Alegre depois de tanta convivência com o senhor de Sousa ganhou o gosto a criar jogos de ilusão - como o recente de que os nossos níveis de desemprego estão em linha com a Europa. O senhor Alegre talvez me queira convencer que o 1% que estamos a pagar a mais de IVA desde anteontem, ou o próprio desemprego que não desce, ou a subia dos juros da dívida pública também são todos superstições e mistificações.
O senhor Alegre que continue a escrever trovas à Bandarra e não venha todo néscio e estulto dizer que não percebe nada de Economia para de seguida nos presentear com pérolas destas. Fique-se com o reconhecimento de que de facto de Economia nada percebe e tenha um bom dia.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
D'Além China: colonialismo
A Amnistia Internacional denuncia a situação de Xinjiang, onde o ano passado houve centenas de mortes em confrontos étnicos.
D'Além Macedónia: Jihad na Europa
É uma estratégia corriqueira dos fundamentalistas, estes ataques às facções moderadas, incutindo um clima de medo, que estas são impotentes, na sua moderação, de combaterem. Uma perspectiva do modus operandi dos fundamentalistas muitas vezes desconhecida ou propositadamente ignorada no Ocidente.
Um outro na mesma linha de acção ocorrido hoje teve lugar em Lahore, no Paquistão, matando 50 pessoas, como nos relata a Foreign Policy.
De lamentar é falta de interesse da opinião pública Europeia em relação a problemas em estado embrionário. Quando há centenas de mortes (Iraque), manifestações gigantescas (Irão) ou golpes militares sangrentos (Bangladesh) isso é notícia. Choca e dá audiências. Não digo que o fundamentalismo nos Balcãs vá atingir as mesmas proporções que no Médio Oriente, mas é um fenómeno em franco crescimento e poucos lhe dão atenção. O problema está aqui, à porta da Europa e alguma coisa se deveria fazer. Quantos serão precisos morrer antes que isso aconteça?
D'Além Mariinski: muito mais que um palito!
D'Além Bruxelas: as promessas estão feitas!
quinta-feira, 1 de julho de 2010
D'Além Nigéria: Selecção de Futebol banida!
"The shocking part of the decision is that the person making this decision is the president. This is the same president who brought 140 people to Canada for a needless jamboree only a few days ago. A president who is presiding over an oil producing country that is wallowing in darkness. A president who does not have the courage to arrest and prosecute his friends and political godfathers who have been indicted for accepting bribes from Halliburton and Siemens. ... A president who is presiding over a country in which the National Assembly dominated by members of his party are basically looting the treasury through dubious constituency allowances. In light of his failures, will the president withdraw himself from office for two years as he has done to the Super Eagles? If there is a World Cup for good governance, would Goodluck Jonathan make the tenth eleven? Your guess is as good as mine."
Imagem: Carl De Souza/Afp/Getty Images, in CBC Sports
Quer-se um bom artigo e não há...
Bem que me esforcei para nada! Há futebol, há Verão e a politiquice mesquinha do costume; pouco mais. Encontra-se alguns comentários pela blogosfera (como este n'O Cachimbo), mas nada que me satisfizesse. Lá capitulei e abri a página daquela publicação que ainda não me falhou nestes assuntos: The Economist. Aos interessados aqui fica a nota de um conjunto de artigos de opinião interessantíssimos quanto ao futuro da moeda única. Destacava as regras propostas pelo Hans-Werner Sinn, particularmente a ideia de ligar os limites do deficit do Pacto de Estabilidade aos pontos de endividamento sobre GDP.
Obviamente que não podia esperar este nível de insight (desculpem mas só me sai o inglês hoje) da imprensa generalista. Não deixa de ser aberrante, todavia, que os verdadeiros problemas com que o país está confrontado de momento não encontrem eco no meio jornalístico. E façam-me um favor, deixem lá a histeria da saga PT/Telefónica/Vivo que já não há pachorra. Mas ainda espanta alguém que um alienado com problemas de identidade e tendências megalómanas continue a tomar decisões néscias apenas para salvar a face? (É ateu, é ateu, mas ainda acredita em milagres). Deixem lá meus caros, a coisa resolve-se na mesma. Dêem uns dias aos Tribunais Europeus e lá se vai o brilho da golden share. Eu percebo a perplexidade, a revolta e indignação que por aí vai à conta do assunto. Como alguém muito bem notou n'O Cachimbo noutros tempos já o Governo já tinha caído do poleiro. Ele hoje também cai, mas procrastina-se em olvido a chafurdar na lama. Eu, por mim, vou tentando não ir muito para o meio do lodaçal que me agonia o cheiro.
Imagem: cortesia de iStockphoto
Aprendendo com os antigos I
Um caso curioso que ilustra esta ingenuidade lusa passou-se precisamente com esses Romanos - que bem dizia o pequeno gaulês, e com alguma razão, que eram loucos. Deu-se isto lá por volta dos últimos cinco séculos antes do nascimento de Cristo na cidade de Roma. Na época era Roma uma República governada por um punhado de aristocratas e queixava-se a plebe (não lhe faltando a razão) que expulsara o último Rei para nada, visto que do poder prometido nem o cheiro. Ora o descontentamento deu em divórcio unilateral (e acha o governo que é progressista) quando o Senado elegeu para cônsul um senhor de elevada estirpe e igualmente elevado nariz: Appius Claudius Inregillensis. O que é o fizeram esses sábios romanos confrontados com as atitudes desse tiranozito empertigado? Mataram-no? Protestaram nas ruas? Deitaram fogo à cidade? Nada disso! Fizeram o que ficou conhecido para a história como: secessio plebis. Ou seja, toda a plebe (a esmagadora maioria da cidade claro está) abandonou Roma e acampou num monte ali perto, deixando os aristocratas para se governarem a eles mesmos. De génio! Claro está que conseguiram o que queriam e esse ano de 494a.C. viu a criação da magistratura do Tribuno da Plebe, cuja eleição dependia não do Senado mas do Populusque Romanus.É que isto de querer comer e não haver quem produza, transporte, venda e confeccione o repasto é coisa que deve ter alterado os mais altos interesses do Estado. E nem quero imaginar a desdita dos pobres senadores, que tiveram que ouvir as Julias, as Claudias, as Fabias e as Valerias em ataques apopléticos quando perceberam que as lojas estavam todas fechadas!
Ora como em equipa que joga bem não se mexe (algo que o Sr. Queiroz devia ter percebido antes de substituir o Hugo Almeida no funesto jogo de Terça), a plebe voltou a utilizar a mesma receita um punhado de vezes mais nas centúrias seguintes. Quando a necessidade assim o obrigava, lá se empacotava tudo muito bem e se ia passar uns dias de descanso ao campo à espera que os senhores de toga capitulassem da sua arrogância. Famosos ficaram os gerados pela recusa do Senado das Leges Duodecim Tabularum (449 a.C.) da Lex Canuleia (445 a.C.) ou da Lex Hortensia (287 a.C.). Ora com o tempo a plebe foi ganhando poder em Roma, sendo-lhe ultimamente abertas todas as magistraturas, pontificados e o assento no Senado. E já os ouço: "Ahah! Então não foi ingenuidade nenhuma! Deu resultado. Vamos todos organizar uma deslocação de Lisboa para o Monte da Caparica e ficamos lá à espera que pelas janelas dos gabinetes do Terreiro do Paço entrem ares de bom-senso e o governo tenha uma epifania!"
A questão é que nada mudou realmente. A plebe ficou possibilitada de concorrer nas eleições aos cargos públicos, de facto. Mas quem tinha os milhares de sestércios necessários para subornos e organização de jogos para conseguir assegurar uma eleição? Os ricos! Plebeus, mas ricos. Famílias que depressa se apressaram a integrar na aristocracia de linhagem, tanto por casamento como por compadrio político. E apesar do seu estatuto de plebeus, não se compadeceram mais das dificuldades da plebe-pé-descalça do que os seus colegas patrícios. A plebe viveu assim cinco séculos de ilusão de uma luta pela igualdade social. Para o final da República o nível de demagogia e aproveitamento desse conflito desencadeou décadas de guerras civis, até que surgiu vencedor Gaius Iulius Caeser Octavianus Augustus que acabou com a brincadeira republicana e deu a volta à coisa com um "L'Etat c'est moi!" muito mais subtil que o de Luís XIV. Foi de facto uma evolução do paradigma social algo comparável ao que aconteceu no século XIX como o novo-riquismo proporcionado pela revolução industrial. O príncipe italiano Di Lampedusa expôs a lógica subjacente de maneira brilhante na sua obra-prima O Leopardo (Il Gattopardo): "Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi!" (Se queremos que tudo fique na mesma é necessário que tudo mude!).
O que aprendemos hoje com os antigos? Iludam-se quanto quiserem com as falsas idolatrias e com as ideologias partidárias vãs e balofas que marcam o nosso espectro político da extrema esquerda à extrema direita. Por mais que tudo mude (entre todas as possíveis combinações de governo possíveis), tudo ficará sempre na mesma porque a ninguém interessa realmente que o paradigma do nacional porreirismo seja perturbado. Relembro que na votação na AR para o aumento dos valores não-justificados de financiamento das campanhas eleitorais apenas dois ou três deputados votaram contra. Em bom português: a m*da muda mas o cheiro é o mesmo. Os patrícios romanos sempre tinham algum sentido de estado e dever público; a nobreza medieval sempre era galante e honrada; a aristocracia da época moderna tinha o seu brilho, distinção e elegância; a burguesia saída da Revolução Industrial sempre começou por ser séria e comprometida. Agora isto!, esta degenerescência, este abastardamento que temos por classe dirigente? Isto é simplesmente, parafraseando Eça: "uma choldra ignóbil!".
quarta-feira, 30 de junho de 2010
[sic]"On n'est qu'on-même hypocrites!"
Finalmente um uso decente para as vuvuzelas!
terça-feira, 29 de junho de 2010
Ele há coisas...
http://www.peticao.com.pt/encerramento-bnp
Petição Contra o Encerramento da BNP
No passado dia 8 de Junho de 2010 a direcção da Biblioteca Nacional de Portugal [BNP] anunciou que os serviços de Leitura Geral da Biblioteca encerrarão durante dez meses (de 15-11-2010 a 01-09-2011) e os Reservados durante cinco meses (01-04-2011 a 01-09-2011). Como cidadãos e utilizadores da BNP, embora conscientes das inequívocas vantagens inerentes à ampliação do edifício de depósitos da biblioteca, consideramos o planeamento dos trabalhos estipulado inaceitável e solicitamos que seja repensado.
O encerramento durante quase um ano de uma instituição que detém colecções sem alternativas (Secção de Reservados, espólios do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, Secção de Periódicos por exemplo) é incompatível com o prosseguimento da actividade científica de largas dezenas de estudantes e investigadores que necessitam desse material.
A indisponibilização dos acervos da BNP comprometerá a viabilização de projectos em curso, muitos deles com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ou de outras instituições, e porá em causa o cumprimento de calendários e compromissos académicos estabelecidos. O encerramento de uma instituição como a Biblioteca Nacional teria, no mínimo, que ser publicamente comunicado com um ano de antecedência para que as várias partes envolvidas (universidades, instituições de financiamento, estudantes, investigadores) pudessem planear o seu trabalho em função desses dados. É inadmissível que uma determinação deste género seja comunicada apenas com cinco meses de antecedência.
Por outro lado, acreditamos que seja possível levar a cabo os trabalhos de transferência dos fundos de forma faseada, de modo a evitar um encerramento integral tão longo. Independentemente de existirem outras bibliotecas com Depósito Legal, é do conhecimento geral que para uma parte substancial do acervo bibliográfico e documental da BNP não existem alternativas nem em Lisboa nem em nenhuma outra biblioteca ou arquivo do país. Pelo que é absolutamente incompreensível que se proponha que este acervo único permaneça inacessível durante 10 meses.
Solicitamos pois que se proceda a uma reconsideração do plano de transferência, no sentido de:
1) se atrasar o encerramento da BNP para depois de Junho de 2011, para dar um mínimo de um ano de antecedência ao anúncio
2) fasear os trabalhos de modo a reduzir o tempo de encerramento integral dos referidos núcleos da BNP.
Lisboa, 22 de Junho de 2010
Chegou de Expresso porque ainda não há TGV
Embora entenda a necessidade de evolução de uma língua e a situação dos hífenes e outros detalhes que tais não me façam a menor confusão, não consigo ficar indiferente ao assassínio de palavras como acção, recepção, vector ou baptismo. É que talvez quem de competência se não tenha apercebido, mas embora os cês e pês destas palavras sejam mudos, não são inúteis. Servem para que, quando lemos estas palavras, abramos vogais que de outra forma se deveriam ler fechadas. Assim, lemos "áção" "recéção", "vétor" e "bátismo". Sem as consoantes mudas, passamos a fechar todas essas vogais. Boa sorte para quem quiser falar assim, eu não consigo nem quero.
Dissonâncias d'Aquém e d'Além
terça-feira, 23 de outubro de 2007
...
(Foco-me na estupidez do que escrevo, qual naufrágo desesperado agarrado estupidamente a um pequeno galho, numa tentativa de não me afundar na estupidez que me envolve. Se me afogar em alguma, ao menos é nesta, que é minha.)
Não sei que escreva; não tenho nada que escrever. Pareço louco, mas tenho direito a sê-lo. Mais não seja pela estupidez que me envolve. Ou por aquela em que me afogo, que já não sei se é a minha ou a dos outros. É tudo a mesma coisa e ao mesmo tempo é tão diferente.
Não disse nada. Mas se nada tinha que dizer, tudo está bem. Apenas queria escrever. Já escrevi. Vou embora.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
...de manhã...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007
On being human: Truth
The pure and simple truth is rarely pure and never simple.
Oscar Wilde
Maybe that’s why we lie to each other. Like trolls from the fantastic stories of my childhood, who would kill you just to simplify things, we remorselessly kill truth in a vain attempt to simplify our lives. You lie to me. You’d rather tell me you were stuck in traffic than the pure and simple truth: you just bumped into that old friend of yours. Because to me that wouldn’t be as straightforward as that: you didn’t just bump into him. He was looking for you. Yes, I know he was your childhood sweetheart. Yes, I’d be jealous. You Know me. That, at least, is a pure truth. So you lie. You simplify. You never asked me if I wanted that, though.
Someone saw you speaking, and perhaps something else. Someone told me someone saw. It’s always like that. Then you just deny. To assume your mistakes was never easy to you. It wouldn’t seam a viable option to your pride. Well, honestly speaking, nor would it seam to mine. We argue. Inevitable. We hurt each other. Predictable. We split up. Foreseeable.
The truth would have been everything but simple to tell. I would never expect you to actually tell me the pure truth (I’ve never met someone capable of that). We both know all that. Even so, I demanded it pure and simple. Just the way you could never have done it. You understood my position, though, You would have done exactly the same thing. We both know that. Despite lying to you almost everyday (about your new haircut, your cooking, your lovely cousin, or an unimportant flirt at work), I still find myself in position to demand truth. And, to my amazement, you still find me in that position too.
Now we are apart. The exact way we swore countless times we would never be. Now I cry shamelessly. The exact way I swore myself countless times I would never do. Now you hang out with other guys just for the sake of forgetting. The exact way you swore yourself countless times you would never do. And nowadays, we live lying to ourselves pretending to be someone we are not. That is the pure and simple truth: lying is rarely pure and never simple.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
LONDRES – Tomo I: “À Descoberta”
Foram apenas duas semanas dirão muitos. Eu respondo que vivi e aprendi mais nessas duas semanas do que muitos em todo o tempo que por cá andaram. O objectivo, pelo menos o oficial, era aprofundar o meu conhecimento de inglês. No fim, saí de lá a falar inglês ainda melhor, com um francês já aceitável, com mais noções de italiano e a saber dizer alguma coisa de alemão, pelo menos o mais necessário, como por exemplo: Du hast shön blond haar und fantastisch blau augen! Acreditem: serve para qualquer rapariga alemã! ;) Mas muito mais do que as matérias académicas foram as pessoas, as situações, as descobertas, a interacção. Foram 15 dias de descoberta de mim mesmo numa situação em que nunca antes me encontrara (mas não me importarei de voltar a encontrar): uma autonomia e uma independência fantásticas. E não pensem que foi só a falta de pais. Foi o tudo ser desconhecido: a cama, o lugar, as pessoas, as escola, os colegas, os professores… Dá-te uma liberdade quase completa. Afinal ninguém te conhece mesmo! Qual é o problema de declamar “Os Lusíadas” em alto e bom som no meio de Oxford Street? E Piccadilly Circus é um lugar tão bom como outro qualquer para aprender a dançar, desde a valsa ao cha cha cha! Quanto ao cantar, num coro cheio de harmonia e vozes melodiosas, todo os géneros musicais, desde Muse a Toni Carreira, no metro, bem, tirando uns olhares reprovadores de perto de 99% dos transeuntes, não houve nada de mais! Foram 15 dias de descoberta de pessoas completamente novas, mas do mais fascinante! Todas à sua maneira tinham algo de diferente para contar, mostrar ou ensinar. E não há maneira melhor de aprender do que entre pessoal jovem a rir às gargalhadas do pavão, dos torneios de ping-pong, das calinadas da Chio, dos estereótipos culturais ou da falta de habilidade de alguém, muito provavelmente eu, para comer com pauzinhos.
Foram 15 dias de aventura diária, de viagens de autocarro sem destino conhecido, de encontros menos recomendáveis às 3 da manhã, de quilómetros e quilómetros percorridos no meio daquela atmosfera citadina, atarefada, estimulante. 15 dias que souberam a pouco, mas pelos quais agradeço todos os dias.
Como respondia a todos aqueles que vinham ter comigo e perguntavam: “Então e Londres, como foi?”; é impossível sintetizar uma tal experiência em meia dúzia de palavras, e daí o “Tomo I” no título. A medida que me for recordando das experiências lá vividas vou-as publicando aqui neste meu canto dissonante. Não na esperança de que vocês as leiam todas, mas numa necessidade de libertação. Foi bom, foi óptimo, foi do melhor que já me aconteceu. Mas passou. E agora coisas há que requerem atenção e preciso de fechar este livro para abrir o próximo. Espero retoma-lo no próximo Verão (a França espera-nos Filipa!). Afinal, as histórias só têm um ponto final definitivo quando lho querem por.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Ocasos
Algarve, Via do Infante.
A direcção era Oeste.
O relógio marcava 9 da tarde (sim, da tarde, pois naqueles enormes dias solarengos de Julho podemos dar-nos a tais extravagâncias).
O Sol aproximava-se do término da sua jornada diária e as suas línguas de fogo e luz lambiam com indescritível provocação os cumes das serras do interior algarvio. Olhei-o de frente, sim, daquela maneira que não se deve porque faz mal aos olhos. Fascinou-me, prendeu-me. Numa atitude algo camaleónica mudava de cor: do seu característico amarelo relampejante, berrante até, foi enrubescendo, passando por todos os imagináveis tons de laranjas ou alaranjados. E estes seus caprichos contagiavam tudo em seu redor. A ponto de os escassos e etéreos farrapos de nuvens presentes naquele firmamento estival se incendiarem, como que de moto próprio, em tinturas de carmins apaixonados, rosas inocentes e púrpuras reais. E então, subitamente, o astro-rei começou a afundar-se por detrás das serras, como que procurando santuário por um qualquer crime chamejante cometido naquele dia. E como que envergonhado de toda a sua flagrante conspicuidade, ocultou-se numa questão de segundos. Para trás fica todo um trilho de réstias de luz que se confundiam e associavam num caleidoscópio de cores, único vestígio do aparente opróbrio do Grande Astro. Esperava assistir ao dissipar de toda aquele espectáculo até ao advento da penumbra vespertina em todos os seus azuis carregados de promessas de noite e escuridão.
Atónito fiquei, portanto, quando não muito depois, o Astro envergonhado espreitou de novo num dos cumes da serra. E tão subitamente quanto tinha desaparecido, voltou, em todo o seu esplendor, para reclamar à noite alguns instantes para o dia. Mas não conseguiu impor-se contra as leis naturais por muito, e apenas durante uns momentos fui eu capaz de gozar mais um pouco do calor dos seus raios na minha face. E assim, obedecendo contrariado aos imperativos naturais, voltou-se a afundar-se nas serranias algarvias com delongas quase fatalistas. Por cinco vezes se repetiu o fenómeno e não pude evitar pensar na sua singularidade. Aquela sucessão de “micro-dias” e “micro-noites” em espaços de tempo inconcebíveis fez-me pensar no futuro.
Onde estarei eu daqui a uns quantos ocasos?
(Algures no príncipio de Agosto de 2007)





